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A Tormenta das Ondas

2027 · Instalação, dezesseis búzios de bronze · Middelkerke, Bélgica

Em produção para a Beaufort27, trienal de arte contemporânea, Bélgica, 2027

A Tormenta das Ondas, renderização 3D de um búzio de bronze gravado com um verso do poema, instalação de Daniel Nicolaevsky para a Beaufort27

A Tormenta das Ondas é uma instalação de dezesseis búzios de bronze, pensada para a praia de Middelkerke no âmbito da Beaufort27, trienal de arte contemporânea do litoral belga.

O búzio é uma pequena concha. Por muito tempo serviu de moeda, inclusive no tráfico transatlântico, em que era trocado por vidas humanas. Na África Ocidental, como no Brasil, é também objeto de adivinhação, adorno e proteção. Ampliado e fundido em bronze, torna-se aqui um lugar de memória para aquelas e aqueles que o mar atravessou.

Em cada búzio está gravada uma estrofe de dois versos de um poema. De uma concha a outra, o poema vai da tormenta ao silêncio, diante do Mar do Norte.

O projeto prolonga uma pesquisa realizada no Senegal com o apoio da ADAGP, onde a modelagem e a impressão 3D servem de ferramentas para pensar a forma antes da fundição.

A obra está em produção. Inauguração em março de 2027.

Ficha técnica

Título A Tormenta das Ondas (La Tourmente des Flots)

Ano 2027

Natureza Instalação

Local Praia de Middelkerke, Bélgica

Contexto Beaufort27, trienal de arte contemporânea, A Shared Horizon, curadoria de Léo Marin

Status Em produção

A Tormenta

Dezesseis estrofes, uma por búzio.

1
Teu corpo em mim cria raiz
Da água brota o amanhã

2

Sou tua casa-mãe,
Morada de todo caminho

3

Meu nome escrito na areia
Abre o caminho para o mar.

4

O que eu poderia te contar,
Se eu estivesse, neste dia, esvaziado?

5

A tormenta das ondas
É uma lembrança distante

6

Toda pele carrega em si
Um caminho traçado de água.

7

Ao contato do teu corpo,
Surge o alto-mar

8

O sal dos corpos engolidos
Não dissolve a amargura

9

Cada nome perdido em ti
É uma estrela que brilha

10

Constelação silenciosa,
De vidas interrompidas

11

O que devemos à terra,
Pelo direito de existir?

12

Na terra, a semente resiste;
No sonho, a liberdade.

13

A avidez bebe o infinito,
A natureza conhece seus limites.

14

Para além da fronteira,
Um horizonte comum

15

Para o corpo sem bandeira,
O oceano incandescente

16

No silêncio das ondas,
Ressoam os nomes atravessados.